Alê SodréTerapeuta da Alma

Mandala lunar: um pouco de atenção a cada dia

A Mandala Lunar é o registro em cores do corpo, da energia e das emoções ao longo do ciclo. No meu livro Mulheres de Fases, proponho esse cuidado junto com a escrita do Diário Lunar.

Alê SodréTerapeuta da Alma · 23 de outubro de 2026

O que é uma mandala lunar

A mandala lunar é um círculo dividido em fatias, uma para cada dia do ciclo. Em vez de guardar apenas a data, ela reúne sinais do corpo, disposição, humor, desejo e criatividade.

Eu gosto desse formato porque ele deixa os dias próximos uns dos outros. Ao terminar uma volta, você consegue olhar o conjunto e perceber onde houve mais energia, recolhimento ou sensibilidade.

A lua aparece no registro como referência simbólica e como informação do calendário. Anotar a fase do céu não significa atribuir a ela o controle sobre o que você sente.

Como fazer mandala lunar

No modelo do Mulheres de Fases, cada fatia tem quatro anéis de observação. Se você menstrua, o ponto de partida é o dia 1, o primeiro dia do sangramento.

Reserve cerca de três minutos, de preferência à noite, para preencher o dia. Use cores e sinais simples, que você consiga reconhecer quando voltar à página.

Minha proposta é que o registro caiba na rotina. A mandala pode ser preenchida com poucas marcas, enquanto o que pede mais palavras vai para o diário.

O que registrar nos quatro anéis

No primeiro anel, anote a lua do céu: nova, crescente, cheia ou minguante. Esse registro permite observar em que fase lunar o sangramento chegou, sem estabelecer uma fase certa para menstruar.

No segundo, observe o corpo e a energia. Marque se a disposição esteve alta, média ou baixa e registre sinais como cólica, inchaço, dor de cabeça e mudanças na pele ou nos seios.

No terceiro, dê um nome ao clima interno. No livro, uso imagens de tempo: ensolarada para alegria e sociabilidade, nublada para sensibilidade, tempestade para irritação e ventania para ansiedade ou dispersão.

No quarto, registre desejo e criação. Você pode estar com vontade de encontro e de fazer algo, mais receptiva ao carinho ou querendo ficar sozinha; cada uma dessas experiências tem lugar na página.

Como escolher as cores

Eu ofereço uma legenda no livro, mas você pode escolher as suas cores. O importante é manter o mesmo significado ao longo dos registros, para conseguir compará-los depois.

Vermelho marca os dias de sangramento. Laranja e amarelo representam energia alta e criatividade; azul, tristeza ou vontade de chorar e ser ouvida.

Roxo ou preto podem marcar raiva ou vontade de silêncio, e verde representa os dias em que você está bem, sem uma tendência muito marcada. São sinais de leitura pessoal, sem diagnóstico escondido nas cores.

Por que proponho três ciclos

Um ciclo já oferece material para observar. Com três registros lado a lado, você ganha mais elementos para distinguir um dia isolado de algo que voltou a acontecer.

No primeiro ciclo, minha proposta é observar sem sair mudando tudo. No segundo, você pode experimentar uma prática do livro e anotar o que ajudou ou não fez diferença.

No terceiro, compare as mandalas. Esse período é um roteiro de prática, sem promessa de que todas as respostas vão aparecer num prazo determinado.

Como ler o padrão depois

Comece procurando repetições: quando a energia aumentou, em que dias o sono mudou, quando surgiu mais desejo ou vontade de recolhimento. Depois, veja o que foi diferente entre as voltas.

Leia também o contexto anotado no diário. Uma conversa difícil, uma noite mal dormida ou uma mudança na rotina fazem parte da experiência e merecem entrar nessa leitura.

Com o que reconhecer, ajuste o que for possível na agenda. Você pode reservar mais margem para descansar ou escolher um período em que costuma ter disposição para apresentar um trabalho, mantendo espaço para o mês acontecer de outro jeito.

O Diário Lunar completa o desenho

A mandala mostra o dia em cores; o diário conta o que houve nele. Eu proponho escrever com sinceridade, sem preocupação com letra bonita ou texto organizado.

Conte como se sentiu, do que precisou e o que chamou sua atenção. No fim do ciclo, releia e marque uma percepção, uma ideia ou uma necessidade que merece cuidado.

Na perimenopausa ou sem menstruar

Na perimenopausa, o ritmo pode mudar e pedir um novo período de observação. Continue registrando o que acontece, sem obrigar os dias a caber no desenho anterior.

Sem menstruar, você pode usar a lua nova como dia 1 e acompanhar as fases do céu. Nesse caso, a lua organiza simbolicamente as páginas, sem representar uma sequência hormonal mensal.

Dor forte, sangramento fora de hora ou sofrimento intenso pedem avaliação profissional. A mandala pode acompanhar você na consulta como registro do que percebeu; ela não substitui esse cuidado nem transforma ritos, ervas ou receitas em tratamento.

Perguntas frequentes

Preciso usar as cores do livro?

Não. Você pode escolher outras, mantendo a mesma legenda para conseguir comparar os registros.

Como fazer mandala lunar sem menstruar?

Use a lua do céu como referência simbólica e escolha a lua nova como dia 1. Continue anotando corpo, energia, emoções e desejo.

Mandala lunar e diário lunar são a mesma coisa?

Eles se complementam. A mandala mostra o conjunto em cores e sinais; o diário dá espaço para escrever sobre o dia.

Por que comparar três ciclos?

A comparação oferece mais elementos para perceber repetições e diferenças. É um roteiro de observação, sem garantia de encontrar um padrão fixo.

Posso usar a mandala na perimenopausa?

Sim, como registro de autocuidado. Se o ritmo mudou, recomece a observação e procure avaliação profissional para sintomas ou alterações que preocupam.

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