Fases do ciclo menstrual e a lua: um mapa para se observar
No Mulheres de Fases, apresento as quatro fases do ciclo com imagens da lua, das estações e das deusas. Uso esse mapa para acompanhar o corpo com curiosidade e reconhecer o que muda ao longo do mês.

A lua é uma referência simbólica
Quando falo sobre as fases do ciclo menstrual e a lua, falo de uma linguagem simbólica. A lua nova representa o recolhimento; a crescente, o começo; a cheia, a expansão; a minguante, a revisão.
Isso não significa que a lua controle o ciclo ou que você precise menstruar numa fase específica. Seu sangramento pode chegar na lua cheia, na crescente ou em qualquer outra, sem precisar se ajustar ao desenho do livro.
Eu uso essas imagens para tornar a observação mais próxima da vida. Há dias de começar, dias de mostrar o que fizemos e dias de diminuir o passo; conhecer essas diferenças pode ajudar a organizar a rotina.
Os dias são aproximados
O ciclo menstrual vai do primeiro dia de um sangramento até a véspera do próximo. No quadro do meu livro, uso um ciclo de 28 dias como referência para apresentar as quatro paisagens.
Nesse desenho, a fase menstrual ocupa os dias 1 a 5; a pré-ovulatória, 6 a 13; a ovulatória, 14 a 17; e a pré-menstrual, 18 a 28. São faixas aproximadas para leitura, não datas que o corpo precisa cumprir.
A faixa ovulatória reúne os dias ao redor da ovulação, sem significar que ela dure quatro dias. A duração do seu ciclo e os sinais que você registra merecem mais atenção do que uma divisão pronta.
Fase menstrual: o inverno interior
O primeiro dia do sangramento abre uma nova volta. O endométrio, tecido que se preparou para uma possível gravidez, se desprende e sai com o sangue.
No livro, descrevo esse período como um inverno interior, associado simbolicamente à lua nova e à Anciã. Com estrogênio e progesterona em níveis baixos, muitas mulheres percebem menos disposição e mais vontade de silêncio.
O convite que faço é observar quanto cabe na agenda. Se houver espaço, desmarque o que pode esperar, escolha roupas confortáveis e reserve tempo para descansar, escrever ou simplesmente ficar quieta.
Registre o fluxo, a energia ao acordar, as emoções e a vontade de companhia ou recolhimento. Cólica que impede sua rotina merece avaliação médica; conhecer o ciclo também inclui reconhecer quando é preciso procurar cuidado.
Fase pré-ovulatória: a primavera interior
Depois do sangramento, vem a paisagem que associo à primavera, à lua crescente e à Donzela. No quadro de referência, ela aparece aproximadamente entre os dias 6 e 13.
Os folículos dos ovários amadurecem e produzem estrogênio, que sobe ao longo dessa etapa. Muitas mulheres notam mais disposição, facilidade de concentração, curiosidade e vontade de se movimentar.
Eu proponho aproveitar essa abertura para começar algo possível: escrever o primeiro trecho de um projeto, estudar, fazer uma ligação ou retomar uma caminhada. Produzir, agir e criar também fazem parte da experiência feminina.
O cuidado é assumir mais do que cabe, animada com a energia que voltou. Observe quando essa disposição aparece em você e quanto tempo ela costuma durar, sem transformar uma semana boa em compromisso para o mês inteiro.
Fase ovulatória: o verão interior
A paisagem ovulatória corresponde, no mapa simbólico, ao verão, à lua cheia e à Mãe. No quadro do livro, ela está situada aproximadamente entre os dias 14 e 17.
O estrogênio chega a um pico, e uma subida do hormônio LH desencadeia a ovulação: a liberação de um óvulo pelo ovário. O muco cervical pode ficar mais elástico e abundante.
Muitas mulheres percebem mais desejo, confiança e vontade de conversar, encontrar pessoas ou apresentar o próprio trabalho. São possibilidades a observar, sem obrigação de estar expansiva porque chegou determinado dia.
Eu gosto de lembrar que a Mãe também cria projetos, ideias e relações; ter filhos não é condição para reconhecer essa imagem. O cuidado dessa fase é oferecer com medida, mantendo espaço para comer, descansar e receber ajuda.
Fase pré-menstrual: o outono interior
Depois da ovulação, o folículo que liberou o óvulo se transforma no corpo lúteo, que produz progesterona. Se não houver gravidez, ele se desfaz, os hormônios caem e o próximo sangramento se aproxima.
No meu mapa, esse é o território da Feiticeira, da lua minguante e do outono interior. A referência aproximada vai do dia 18 ao 28, com diferenças ao longo da própria fase.
Podem aparecer inchaço, seios doloridos, mudanças no sono, mais fome e sensibilidade. Algumas mulheres também percebem um olhar mais crítico, útil para revisar um texto, conferir contas ou concluir o que ficou aberto.
Eu proponho escrever antes de entrar numa conversa difícil e reler depois, com calma. Sofrimento intenso não deve ser explicado apenas como uma mensagem simbólica da fase: quando tristeza, raiva ou ansiedade pesam na vida, é hora de buscar avaliação profissional.
Como observar as quatro fases do ciclo
Comece pelo que consegue perceber hoje. Anote o dia do ciclo, o sangramento, o sono, a energia, o humor, o desejo e os acontecimentos que marcaram aquele dia.
No Mulheres de Fases, proponho a Mandala Lunar e o Diário Lunar para esse registro. A mandala reúne cores e sinais; o diário dá espaço para contar o que aconteceu e pensar sobre o que você sentiu.
Minha sugestão é acompanhar três ciclos e depois colocar os registros lado a lado. Procure repetições e diferenças antes de mudar a agenda: o seu ritmo vai sendo conhecido pela observação.
Quando o ritmo muda
Na perimenopausa, os ciclos podem ficar irregulares, e o mapa anterior precisa ser revisto. No livro, proponho recomeçar pela observação quando o corpo ou a vida mudam.
Para quem não menstrua, a lua do céu pode organizar o percurso simbólico de recolher, começar, expandir e revisar. Isso oferece uma referência de calendário para o autocuidado, sem descrever um ciclo menstrual acontecendo no corpo.
A ciclicidade feminina, como trabalho aqui, abre espaço para essa atenção cotidiana. Dor forte, sangramento fora de hora ou sofrimento intenso pedem avaliação profissional; ritos, ervas e receitas são autocuidado e não substituem acompanhamento de saúde.
Perguntas frequentes
Preciso menstruar na lua nova?
Não. Uso a lua nova como símbolo da fase menstrual, sem dizer que o sangramento precisa coincidir com ela.
E quem não menstrua mais?
Pode acompanhar as fases da lua do céu como calendário simbólico de autocuidado. Essa prática não significa que exista um ciclo menstrual depois da menopausa.
E se meu ciclo for irregular?
Registre os dias e os sinais sem tentar encaixá-los num ciclo de 28 dias. Ciclos muito irregulares ou mudanças que preocupam merecem avaliação profissional.
Vou sentir a mesma energia em cada fase?
Não há essa obrigação. As descrições são referências para observar o que acontece em você.
A mandala serve para evitar gravidez?
Eu a proponho como registro de autoconhecimento. Ela não substitui orientação profissional para evitar ou buscar uma gravidez.
Para continuar lendo
- Mandala lunar: um pouco de atenção a cada diaA Mandala Lunar é o registro em cores do corpo, da energia e das emoções ao longo do ciclo. No meu livro Mulheres de Fases, proponho esse cuidado junto com a escrita do Diário Lunar.
- Donzela, Mãe, Feiticeira e Anciã: quatro faces para se reconhecerNo Mulheres de Fases, aproximo as quatro faces do ciclo das histórias de Ártemis, Deméter, Hécate e Inanna. São imagens para pensar o cotidiano e observar o que você vive em cada momento.